Alice: Quanto tempo dura o eterno?
Coelho: As vezes apenas um segundo.
Eu: Ou menos.
Ela em minha frente e uma certeza: a eternidade pode durar menos de um segundo. Bastou um vislumbre pra despir a alma de tudo aquém a sua presença. Para despir a consciência de qualquer pudor e deixar que as primeiras lágrimas caíssem livres pelo rosto. Para rir, pular, gritar ou apenas observar sem pressa. E, sem noção alguma de tempo, pensar, repensar e trepensar: "Ela existe. Eu não acredito. Ela realmente existe". E então olhar, e olhar um pouco mais, desafiando as minhas próprias noções de realidade e felicidade.
A Alanis, aquela da minha infância, da minha adolescência, dos meus segredos, das minhas crises, minhas lágrimas, meus sorrisos, dos meus momentos de ócio e das minhas noites de solidão. Aquela do cabelo comprido, do olhar sonhador, da expressão de paz. Aquela suave feito anjo e intensa feito o bem e o mal de cada ser.
Aquela que levanta a cabeça a cada nota arrepiantemente aguda e fecha os olhos, e sorri e chora no palco. Aquela da voz doce, que me decifra, que me canta, que me constrói. Aquela que se move como ninguém, que joga os cabelos pra frente, mostra os ombros, a tatuagem e toca gaita como ninguém mais faz. Aquela que acompanha o ritmo de um jeito escandalosamente seu; com cada membro, com cada dedo, com toda a alma. Aquela que sente como ninguém, que vive e revive a cada palavra. Aquela que é a única capaz em soar verdadeira ao dizer "You´re so warm that it feels like home" ou um batido "I love you".
Aquela que termina o show com Thank You, mas não sem antes alcançar aquela nota de Uninvited que ninguém mais no mundo alcança. Aquela que arrepia com a energia de You Oughta Know e derrete a platéia inteira em Hands Clean e Head Over Feat. Aquela que sintetiza a vida em You Learn, sintetiza a dor em Flinch e me traduz em Hand in my Pocket. Aquela que transcreve o imprevisível em Ironic e emociona profundamente em Guardian.
Aquela que canta clássicos da minha geração e músicas que, com toda certeza, ainda se tornarão os clássicos da próxima.
Ela existe. Agora com quadril - que inédito. No peito, uma gratidão de quem, naquele momento, não desejava mais nada. A certeza de que momentos perfeitos existem e, ainda bem, se tornam lembranças que nada é capaz de apagar.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Fechei os olhos. Só mais um passo a frente. Mais um passo. Só mais um. Assegurei-me de que aquela porta, hoje jazendo em ruínas, havia ficado para trás. Então abri os olhos e abandonei a escuridão. Não. Não encontrei coragem e tampouco voltei minha cabeça ao passado. Sobre as ruínas, apenas me disseram. E eu acreditei. E foi como te observar um segundo mais, desejando sempre mais, mas travar frente as carnes da tua boca, já usada, abusada e, no íntimo, lacerada demais. Não notei os vincos, agora pouco mais profundos. Ignorei todos os sinais da minha falta de tempo. O tempo passara sem tardar um só segundo, sem dó de meu atraso. E passará sempre assim: impiedoso de alguém tão perdido quanto eu. Ah, que falta me fazem os teus olhos. E nem por isso pude vê-los pela última vez. Encarar-te seria, meu bem, assassinar o que, em verdade, nunca teve a oportunidade de existir.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
"Sete anos – pensei ainda sonolenta e fora de mim. Esperei que mais um minuto se passasse. Sete horas da manhã. Despertador tocando. Nunca entendi porque eu teimava em acordar um minuto antes do soar estridente do meu despertador, aliás. Um minuto perdido e uma pitada insistente de melancolia.
O conforto do meu quarto sempre combinara comigo. Os pouco mais de 8 metros quadrados que abrigavam boa parte dos meus medos, segredos, dúvidas e planos. E como eu os tinha, aliás. Planos que, não sei se por falta de oportunidade ou de culhões, nunca saíram do papel.
Sempre sonhei em jogar tudo pro ar. Uma tarde ensolarada qualquer e a decisão que mudaria a minha vida: buscar o que de melhor o mundo tem pra oferecer. Largaria meu pequeno apartamento e tudo que lá estivesse - com a plena certeza de que não faria falta alguma. Comigo, apenas os bons. Meu "príncipe", encantado na medida exata, e meu gato, sem botas por enquanto."
O conforto do meu quarto sempre combinara comigo. Os pouco mais de 8 metros quadrados que abrigavam boa parte dos meus medos, segredos, dúvidas e planos. E como eu os tinha, aliás. Planos que, não sei se por falta de oportunidade ou de culhões, nunca saíram do papel.
Sempre sonhei em jogar tudo pro ar. Uma tarde ensolarada qualquer e a decisão que mudaria a minha vida: buscar o que de melhor o mundo tem pra oferecer. Largaria meu pequeno apartamento e tudo que lá estivesse - com a plena certeza de que não faria falta alguma. Comigo, apenas os bons. Meu "príncipe", encantado na medida exata, e meu gato, sem botas por enquanto."
"Que setembro seja melhor e supere todas as angústias, medos, inseguranças e azar de um agosto fodido." CFA
Dispensei a xícara de café matinal. Expresso, preto, adoçante, sem espuma. De preferência nessa ordem. Só que hoje não. E não é febre. Essa já se foi com agosto junto aos calafrios, as dores, ao eu-não-pedi-pra-nascer-e-não-quero-mais-viver (e foi tarde, posso dizer).
O café tem me feito mal a beça desde que, bom, não sei desde-que-exatamente. Sem cafeína minha mente só acorda pra lá das 10h30. Então: bom dia! Tudo bem. Tenho andado meio devagar nesses últimos tempos. Escorregando dias, pulando outros e lá vou eu, impaciente e sem pressa.
Tenho esperado por não-sei-o-quê. Aquela luz, cara. Sei lá. Aquele compartimento secreto da mente, a mudança no DNA, o fim do mundo. To esperando que um sei-lá-o-quê faça sentido já que essa sala empoeirada demais, clara demais e com-sempre-as-mesmas-pessoas-demais parou de fazer sentido faz um bom tempo.
E se é no dia 14 que tudo realmente muda, que bom que meu setembro começou já no dia 3. Seja mais que bem-vindo, a propósito!
P.S. Bem-vinda semana do show da Alanis!
Dispensei a xícara de café matinal. Expresso, preto, adoçante, sem espuma. De preferência nessa ordem. Só que hoje não. E não é febre. Essa já se foi com agosto junto aos calafrios, as dores, ao eu-não-pedi-pra-nascer-e-não-quero-mais-viver (e foi tarde, posso dizer).
O café tem me feito mal a beça desde que, bom, não sei desde-que-exatamente. Sem cafeína minha mente só acorda pra lá das 10h30. Então: bom dia! Tudo bem. Tenho andado meio devagar nesses últimos tempos. Escorregando dias, pulando outros e lá vou eu, impaciente e sem pressa.
Tenho esperado por não-sei-o-quê. Aquela luz, cara. Sei lá. Aquele compartimento secreto da mente, a mudança no DNA, o fim do mundo. To esperando que um sei-lá-o-quê faça sentido já que essa sala empoeirada demais, clara demais e com-sempre-as-mesmas-pessoas-demais parou de fazer sentido faz um bom tempo.
E se é no dia 14 que tudo realmente muda, que bom que meu setembro começou já no dia 3. Seja mais que bem-vindo, a propósito!
P.S. Bem-vinda semana do show da Alanis!
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