E. E nós. Nós éramos tão jovens. Completamente embebidos e afogados naquele ar inocente, infantil. Aqui se inicia o que não é nem de perto um começo. O que foi já passou. E se passou tanto desde que foi.
Quem me dera houvesse tempo para documentar tanta vida, mas viver nos ocupa tempo demais. Para quê se vive, afinal?
Hoje o dia amanheceu ansioso e melancólico aqui no sul do país. Depois de rodar terras longínquas, fitei meu retrato cru e inchado no primeiro raio da manhã. Retornei para onde tudo começou. O que eu estou fazendo aqui?
Reparei que linhas tênues saltam discretamente em minha pele, denunciando todo o "e" vivido desde aquela época em que éramos tão jovens. Não ouso me declarar velha tampouco, mas percebo a ação indubitável do tempo, denunciando-se pelos arredores de um par de olhos amendoados e incertos. Se não o tempo, qual é a matéria prima das certezas?
A imagem do espelho me acompanhou ao longo de todo o dia e a casa vazia me aprisionou de portas abertas. Para onde eu devo ir?
O parapeito da janela me parecia o que de mais próximo havia para se chamar de liberdade. Abri os vidros e deixei que o ar gelado enrijecesse minhas bochechas e avermelhasse meu nariz. - Acho que eu não gosto de frio.
Fitei a imensidão cinzenta do céu e o ar bucólico dos fundos daquela rua tranquila e repleta de belos sobrados e pinheiros imponentes. Uma revoada de pássaros cruzou o horizonte, surgindo do ponto mais ao norte a que minha visão conseguia alcançar e sumindo pelo extremo sul. Observei que nenhum deles errava o caminho ou, quiça, demonstrava qualquer traço de hesitação. Senti inveja. Para onde eu quero ir?
Há pouco que me sentia em paz. O que tanto me atormenta agora?
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Muda..
Que o mundo muda contigo.
(...)
E depois de explorar o mundo lá de fora
nada me seduzia mais do que a ideia de um cantinho pra explorar esse mundo aqui de dentro.
Chá fumegante, coração tranquilo, paz e gratidão.
Um brinde a nova fase.
(...)
E depois de explorar o mundo lá de fora
nada me seduzia mais do que a ideia de um cantinho pra explorar esse mundo aqui de dentro.
Chá fumegante, coração tranquilo, paz e gratidão.
Um brinde a nova fase.
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Papo de boteco
..E depois de gastar os tênis até o limite da exaustão, parei no único canto da cidade que me soava familiar.
Ela já me vira antes e, por alguma razão que desconheço, aprendera instantaneamente a ler o meu olhar. Coisa rara, digo, aquela familiaridade.
Adiantei-me frente a expressão preocupada:
- Olha, tu sabes bem que normalmente eu escolho um chá, mas hoje eu quero um par de cervejas geladas e um maço do cigarro mais forte, por favor.
- Dia difícil, hã? - Perguntou com um sorriso solidário.
- Não fazes ideia, viu?
- Sorria, já é fim do dia. - Disse ela ensaiando uma firula desengonçada e entregando meu pedido já cuidadosamente embrulhado em uma sacola.
- Ai. - Respondi quase que puramente por impulso.
- Alguma dor?
- Olha, moça, depois de tudo? Doem os meus joelhos.
- Ah, sei bem como é. Descansa que o amanhã é sempre um novo dia.
- Sim. É sempre um novo dia... e quem sabe um dia chega o dia que.
- O dia que?
- Sim. O dia "que!" - Arregalei os olhos.
- Ah, claro.. o dia que. Ele chega sim, pode acreditar. - Lá estava ela lendo meus olhos, ou, desconfio eu, algo além deles - São 14 reais. Mais alguma coisa? - Me agradava muito aquela ética profissional.
- Não, não. É só isso. Por hoje deu, entende? - Respondi com uma certeza latente de que não estávamos falando sobre a mesma coisa.
- Então uma boa noite, viu?
- Obrigada, igualmente. Há de ser, aliás, sei que sim.
Ofereci um sorriso cansado, porém otimista. Naquela altura do campeonato, era a única coisa que eu ainda tinha para oferecer.
Foram os meus joelhos cansados e doloridos que, sem reclamar, me trouxeram até em casa.
Ela já me vira antes e, por alguma razão que desconheço, aprendera instantaneamente a ler o meu olhar. Coisa rara, digo, aquela familiaridade.
Adiantei-me frente a expressão preocupada:
- Olha, tu sabes bem que normalmente eu escolho um chá, mas hoje eu quero um par de cervejas geladas e um maço do cigarro mais forte, por favor.
- Dia difícil, hã? - Perguntou com um sorriso solidário.
- Não fazes ideia, viu?
- Sorria, já é fim do dia. - Disse ela ensaiando uma firula desengonçada e entregando meu pedido já cuidadosamente embrulhado em uma sacola.
- Ai. - Respondi quase que puramente por impulso.
- Alguma dor?
- Olha, moça, depois de tudo? Doem os meus joelhos.
- Ah, sei bem como é. Descansa que o amanhã é sempre um novo dia.
- Sim. É sempre um novo dia... e quem sabe um dia chega o dia que.
- O dia que?
- Sim. O dia "que!" - Arregalei os olhos.
- Ah, claro.. o dia que. Ele chega sim, pode acreditar. - Lá estava ela lendo meus olhos, ou, desconfio eu, algo além deles - São 14 reais. Mais alguma coisa? - Me agradava muito aquela ética profissional.
- Não, não. É só isso. Por hoje deu, entende? - Respondi com uma certeza latente de que não estávamos falando sobre a mesma coisa.
- Então uma boa noite, viu?
- Obrigada, igualmente. Há de ser, aliás, sei que sim.
Ofereci um sorriso cansado, porém otimista. Naquela altura do campeonato, era a única coisa que eu ainda tinha para oferecer.
Foram os meus joelhos cansados e doloridos que, sem reclamar, me trouxeram até em casa.
I got a body full of liquor, with a cocaine kicker and I'm feeling like I'm thirty feet tall, so lay it down.
You got your legs up in the sky, with the devil in your eyes, let me hear you say you want it all. Say it now.
Look what you'r doing, look what you've done. But in this jungle you can't run, cause what I got for you I promise is a killer. You and me, baby, fucking like gorillas.
I got a fistful of your hair but you don't look like you're scared. You're just smiling n telling me "it's yours" cause you know how I like it, "use a dirty, little lover".
If the neighbors call the cops, call the sheriff, call the swat, we don't stop, we keep rocking while they knocking on our door and you're screaming "give it to me, baby, give it to me, motherfucker".
I bet you never ever felt so good n I got your body trembling like it should. You'll never be the same, baby, once I'm done with you.
You got your legs up in the sky, with the devil in your eyes, let me hear you say you want it all. Say it now.
Look what you'r doing, look what you've done. But in this jungle you can't run, cause what I got for you I promise is a killer. You and me, baby, fucking like gorillas.
I got a fistful of your hair but you don't look like you're scared. You're just smiling n telling me "it's yours" cause you know how I like it, "use a dirty, little lover".
If the neighbors call the cops, call the sheriff, call the swat, we don't stop, we keep rocking while they knocking on our door and you're screaming "give it to me, baby, give it to me, motherfucker".
I bet you never ever felt so good n I got your body trembling like it should. You'll never be the same, baby, once I'm done with you.
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