sexta-feira, 20 de março de 2009

Capítulo 1

Ele deu dois tapinhas leves em minhas costas e sugeriu que eu realmente deveria parar de fumar. Ainda era cedo e ele já estava ali me observando em silêncio a alguns minutos. Eu podia sentir seus olhos ágeis fitando alguma parte de mim de quando em vez. Talvez ele soubesse que eu não queria conversar durante aquela música; talvez ele pressentisse. Já tinhamos nos visto algumas vezes, mas aquela foi a primeira noite que ouvi a sua voz. "Estou tentando parar.." Ah, essa sim foi uma resposta idiota, pensei. Não sei ao certo quanto tempo eu demorei pra elaborar a frase e tampouco sei se enrolei a língua pra falar. Há horas que o álcool produzia um efeito entorpecente em minha veias. Ela chegou com um Oxford preto e duas garrafas de cerveja nas mãos. Passou direto e estendeu a garrafa suada em sinal de oferecimento. A cerveja definitivamente não era pra mim. Não sei ao certo se ela estava oferecendo a garrafa ou se oferecendo. "Hm.." ele me disse abrindo um sorriso torto. Bebeu um longo gole, trocou a garrafa pela mão da garota, virou as costas e saiu.

sábado, 14 de março de 2009

"For what it's worth: it's never too late or, in my case, too early to be whoever you want to be. There's no time limit, stop whenever you want. You can change or stay the same, there are no rules to this thing. We can make the best or the worst of it. I hope you make the best of it. And I hope you see things that startle you. I hope you feel things you never felt before. I hope you meet people with a different point of view. I hope you live a life you're proud of. If you find that you're not, I hope you have the strength to start all over again.".

Era isso que eu precisava ouvir pra reforçar tudo que já estava na minha cabeça. Engraçado é o jeito como essas coisas acontecem.. Estava eu no blog da Kah (se é que eu posso me dar ao luxo de toda essa intimidade, uma vez que definitivamente não tenho essa intimidade) e lá estava, em um dos posts recentes, ela relatando que isso era exatamente o que ela queria ouvir. Descreveu até minha sensação de chute no estômago e tudo; tudinho. Eu adoro o blog dela, só não sei porque nunca parei pra comentar isso pra err.. ela.

P.S. Vou baixar o filme ;

quinta-feira, 12 de março de 2009

Tem vezes que eu vivo mais do que eu acho que posso aguentar. Sabe como é, viver perigosamente quem sabe desperte alguma coisa em mim.. nem que seja cansaço; muito cansaço. Eu queria dormir infinito mas, nos próximos 4 dias, dormir definitivamente vai ficar pra depois. Se eu realmente queria dormir infinito? Eu não sei. O porque disso tudo? Guess what; eu também não sei.

P.S. Meu nome artístico na minha nova banda pop "James - if you drink, don´t drive" onde eu sou a "bonitinha estilosa" é Superaining. A-hã.

quarta-feira, 4 de março de 2009

As vezes eu sinto que preciso escrever. Óbvio que nem por isso eu escrevo. As vezes eu não paro o que eu to fazendo pra sentar e escrever.. outras vezes eu até paro, mas não escrevo absolutamente nada. Precisar é bem diferente de conseguir, mas não deixa de ser um passo.
A tempos que eu quero escrever sobre o fato de Blumenau estar caótica depois que tudo aconteceu e de algum jeito colocar pra fora a minha amargura de perguntar quando essa cidade vai deixar de ser o retrato de uma cidade pós catástrofe. Chove e dá medo. Chove e inunda. Chove e enxe de barro. Chove e fede. Tá virando rotina ouvir gente se perguntando baixinho e com cara de pânico se vai conseguir subir o morro que dá acesso a sua casa depois de mais um pé d´agua. Aliás, são pés d´agua todos os dias. Até eu sinto medo.
Se eu sentisse medo só disso, tava ótimo. Mas eu sinto medo de mim. Sinto medo da minha vida, das minhas escolhas e as vezes até da minha covardia. Sinto medo das minhas reações e as vezes eu sinto medo da falta delas. Eu sinto medo por pensar que talvez agora eu esteja agindo assim diante de tudo que tá acontecendo e de todas as minhas confusões e mais tarde a reação finalmente chegar. Eu ando tão anestesiada que acordo pensando em dormir e já não me pego tendo muitas reações. Eu deixo as pessoas irem, me privo de coisas e companias, me privo de planos, já não procuro agradar demais, não ando me importando muito com meus machucados, já cansei de fingir ser o que eu não sou, tenho dúvidas, tenho até a ameaça de ter que mudar minha vida quase que por completo, to no meu inferno astral e ando assim.. atônita; meio barata tonta. Espero que esse tal de inferno astral seja uma boa explicação. Nem é exatamente ruim, é quase um equilíbrio forçado que você nunca sabe se é equilíbrio ou não afinal.. não sabe se tá equilibrada ou perigosamente desiquilibrada. Se a estrada é larga ou se você tá andando na beirada do precipício e ainda não enxergou.
Eu não fico perto das pessoas pelos motivos normais, eu não me privo de certas coisas pelos motivos normais, eu não me escondo pelos motivos normais, eu não escondo pelos motivos normais, eu nao como pelos motivos normais, eu não durmo pelos motivos normais, eu não rio e nem choro pelos motivos normais, isso quando eu não os faço sem motivo nenhum. Eu não vivo pelos motivos normais, eu não tenho planos normais, aliás, eu não tenho planos, eu não me encaixo nos padrões normais, não uso roupas normais, não aparento muita normalidade, eu não faço escolhas normais, meu julgamento não é normal, minha percepção não é normal, a atração que eu sinto não é normal, o que eu busco não é normal, aliás, não saber o que se busca nos outros, na vida e em si mesmo não é normal. Meu jeito de viver e o jeito que eu to vivendo também hm, não são normais.
Acho que eu já entendi que talvez não ame e viva um relacionamento com a mesma intensidade do que o que eu vivi, mas será que eu ainda vou ser intensa em alguma outra coisa? Não que as pessoas não me importem, que a faculdade, a vida, os amigos, a namorada.. importam; mas não me provocam intensidade. Eu lembro que já tive desejos intensos e vivia sempre na corda bamba.. meu chão estava longe de ser uma estrada sólida. Hoje eu tenho desejos, claro que sim.. mas não morro por nenhum deles. Eu desejo coisas demais, eu desejo pessoas demais, eu desejo tempo demais. Demais demais e demais. Não consigo entender o porque e o porque de conseguir ou não conseguir não me causa nada demais. Perder ou ganhar o que eu quero, por mais que eu ache que queira demais não me faz rir demais, não me faz chorar demais. Não me faz viver demais e não me faz querer morrer demais. Não me faz pular demais e não me faz cair demais. Eu desejo demais mas ao mesmo tempo eu desejo nada, desejo ficar sem pessoa nenhuma ainda que eu deseje pessoas, com coisa nenhuma ainda que eu deseje coisas, com tempo nenhum ainda que eu deseje tempo. Sei que eu não posso ter todos os que eu quero, nem tudo o que eu quero e nem todo o tempo que eu quero. Talvez eu pudesse se me tornasse alguém bem diferente do que eu sou.. mas isso eu não to disposta a fazer. Gosto até de toda essa confusão que me perturba. É bom saber que só eu sou assim e eu sou assim e não do jeito que eu queria ser ou do jeito que queriam que eu fosse. As vezes eu quero só parar no tempo, as vezes eu quero as voltas alucinantes dos ponteiros. Eu sei que eu vivo intensamente - pelo menos para o que me é permitido com meus meros 18 anos de idade e situação completamente dependente e blábláblá -, mas não sinto intensamente. Ai, foda. Não sei nem onde eu quero chegar escrevendo isso. Sei lá se eu to escrevendo por esporte, mas eu tenho inveja de mim mesma quando vejo o que eu escrevia na época intensa da minha vida. Será que daqui a algum tempo eu vou olhar pra trás e sofrer as consequencias do que não é intenso pra mim, hoje em dia, com intensidade? Só Deus sabe né? Isso se Ele souber, afinal. Eu sei que reclamava quando eu era muito intensa.. mas acho que eu quero a minha intensidade de volta.
Tem horas que eu fico com vontade de arrumar tudo. Arrumar a casa, arrumar o quarto, arrumar o orkut, o msn, as fotos, as músicas, as cartas, as lembranças, os sentimentos, a bolsa, o armário, a vida e o planeta. O difícil da situação é que eu quero arrumar tanta coisa, em tão pouco tempo, que acabo arrumando é nada. Se fosse pra ser, teria que ser imediato, tudo ao mesmo tempo, tudo naquela hora. O depois não me interessa. O depois me cansa. A realidade é que, só de olhar pra tudo que eu sinto que preciso arrumar, com uma intensidade molecular intensa de cada fibra do meu ser, quase como se a minha vida naquela hora dependesse disso, eu já fico cansada e travo. A teoria sempre foi bem mais fácil do que a prática pra mim. Nem por isso eu prefiro teorizar. É mais fácil pensar, ainda que as vezes eu me desespere por agir. Não tenho instinto prático, não sei viver direito nesse mundo e tomar a decisão é a parte da história que mais me consome. Uma vez decidida, pra mim é mais fácil seguir, ainda que a decisão seja difícil ou dolorida, enfim. Resumindo: se fosse pra ser, teria que ser imediato, tudo ao mesmo tempo, tudo naquela hora. O depois não me interessa. O depois me cansa. Depois a minha vontade vai ser outra e tudo vai continuar bagunçado como, pra falar a verdade, sempre foi.